Este blogue é um blogue de experiência, para preparar o blogue de comentários e fotografias da Volta Ao Mundo que tencionamos iniciar em Janeiro de 2014, precedida por uma travessia do Atlântico em Novembro de 2013, com início em Las Palmas (Canárias).
Este é um sonho com alguns anos. Estava previsto que a Volta ao Mundo se iniciaria em 2012, mas tal não foi possível, e assim, passou para 2014. Faremos a Volta integrados na World ARC (Atlantic Rally for Cruisers) que até agora só organiza este tipo de evento de 2 em 2 anos.
Os preparativos do barco começaram em 2010, e todos os anos se vai instalando equipamento e fazendo reparações e revisões do material existente.
Este ano de 2012 será a vez do dessalinizador e do hidro-gerador.
Os preparativos parecem intermináveis.
E a viagem parece estar ainda muito distante. Mas nós sabemos que a distância passa a voar!
Para irmos testando o barco, e a nós próprios (!), fomos no Verão passado a Porto Santo.
Tinham estado muitos dias seguidos de vento rijo e, por essa razão, o mar estava levantado e desagradável. Fomos 4 a bordo para lá e houve bastante enjoo a bordo. Deu para ficar com saudades da navegação costeira e dos alísios!
A Porto Santo chegámos com chuva, e durante a estadia lá apanhámos mais dias nublados e chuvosos, e o vento continuou. Finalmente o tempo melhorou um pouco. Em breve chegou a altura de regressar.
Largámos, e mal saímos da protecção da Ilha, lá recomeçou o balanço e o mar desencontrado. Um dos nossos tripulantes enjoou terrivelmente, a ponto de não conseguir comer nada, nem levantar-se do beliche. Já estávamos a ficar preocupados com a situação.
Mas logo tivemos muito mais com que nos preocupar!
Pelas 4 da manhã, e a cerca de 100 M de Porto Santo, o leme deixou de responder aos movimentos da roda do leme! Algo na transmissão entre a roda do leme e o leme se avariara!
Fomos à loca da proa, retirar a cana do leme de emergência, com o barco a balançar bastante, e a água a molhar-nos todos. Foi tudo bastante rápido e eficaz. Instalámos a cana do leme (chamar-lhe cana dá ideia de um sistema leve e fácil de manejar... mas não era nada disto!). Esperámos que o dia começasse a clarear para iniciarmos o regresso à Madeira (estávamos muito mais perto da Madeira do que de Lagos).
Quando começámos a andar (a motor, claro) é que nos apercebemos da enorme força que era necessária para manter o barco no rumo. E com as ondas que estavam, nem pensar que conseguíamos fixar o leme de emergência para que ele fizesse o trabalho sòzinho.
Fizemos turnos de meia hora cada um (éramos 3, visto que o 4º elemento estava incapacitado pelo enjoo), durante 21 horas, até chegarmos à Marina da Quinta do Lorde na Madeira, onde decidimos procurar ajuda para resolver o problema, considerando que certamente teriam mais recursos que na Marina de Porto Santo.
De facto, chegámos de às 9 da manhã à Marina e pelo início da tarde já estava descoberta a causa da avaria - tinha-se soltado a engrenagem na caixa de redução.
Retomámos o regresso a Lagos 2 dias depois, já com muito melhor mar e tempo, e só com 3 a bordo - o 4º tripulante, que enjoara muito, regressou de avião. Essa viagem de regresso não teve problemas.